

Princesa Diana e a Fórmula 1: os momentos em que a realeza entrou no mundo das corridas
Da visita aos boxes da Williams ao pódio de Silverstone, Diana teve uma relação muito mais próxima com o automobilismo do que muita gente imagina
Diana esteve em Grandes Prêmios, conheceu pilotos, visitou garagens de equipes e entregou o troféu ao vencedor do GP da Grã-Bretanha de 1994. Fora das pistas, também ficou marcada por seus carros esportivos.
QUANDO A PRINCESA DO POVO ENCONTROU A FÓRMULA 1

Poucas figuras públicas britânicas foram tão fotografadas quanto Diana, Princesa de Gales. Moda, família real, viagens e ações humanitárias dominaram grande parte de sua trajetória pública.

Mas existe um lado menos lembrado de sua história: a relação com os automóveis e o automobilismo.
Diana esteve presente em Grandes Prêmios, circulou pelo paddock, conheceu pilotos e chegou a participar oficialmente de uma cerimônia de pódio da Fórmula 1.
Não se tratava de uma carreira ligada às pistas. Diana nunca foi piloto nem integrante de uma equipe.

Sua conexão era diferente: uma combinação de interesse por automóveis, presença em eventos esportivos e participação institucional como membro da família real britânica.
E algumas dessas imagens se tornaram históricas.

DONINGTON PARK: DIANA NO MESMO CIRCUITO DE AYRTON SENNA

Em 11 de abril de 1993, Diana esteve no Grande Prêmio da Europa, realizado em Donington Park.
A corrida entrou para a história graças a uma das maiores atuações de Ayrton Senna na Fórmula 1.
O brasileiro largou em quarto lugar, caiu para quinto na primeira curva e, ainda na primeira volta, assumiu a liderança.



Senna venceu com a McLaren-Ford, à frente de Damon Hill e Alain Prost.
Diana estava naquele ambiente enquanto uma das corridas mais famosas da história da Fórmula 1 acontecia.
A presença da princesa em Donington é registrada por arquivos fotográficos do evento e por relatos de pessoas que trabalhavam no circuito naquela época.

UM DOS DIAS MAIS MEMORÁVEIS DE SENNA

A pista estava molhada e as condições mudavam constantemente.
Senna aproveitou a situação como poucos pilotos conseguiram fazer em sua carreira. A primeira volta foi decisiva e acabou se tornando uma das maiores demonstrações de domínio do brasileiro.




É importante, porém, separar o fato da lenda.
Diana estava no Grande Prêmio, mas não existe documentação que indique uma relação pessoal próxima entre ela e Senna.
O que existe são registros de sua presença no evento e sua circulação pelo ambiente do Grande Prêmio.
E um ano depois, a relação de Diana com a Fórmula 1 ficaria ainda mais evidente.

SILVERSTONE, 1994: A PRINCESA DENTRO DO PADDOCK

Em 10 de julho de 1994, Diana voltou a aparecer no universo da Fórmula 1.
Dessa vez, no tradicional Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em Silverstone, acompanhada pelo filho, o príncipe Harry.
A visita foi muito além de simplesmente assistir à corrida.

Diana e Harry circularam pela área dos boxes e tiveram contato com integrantes das equipes.
Um dos registros mais famosos daquele dia mostra David Coulthard apresentando a garagem da Williams-Renault aos convidados reais. O arquivo da Getty identifica o encontro no GP da Grã-Bretanha de 1994.

DAVID COULTHARD RECEBE DIANA NA WILLIAMS

Naquele momento, David Coulthard era um dos pilotos da Williams.
O escocês ainda estava construindo sua carreira na Fórmula 1, enquanto a equipe britânica vivia uma das fases mais competitivas de sua história.




A fotografia de Diana dentro da garagem da Williams é particularmente interessante porque mostra a princesa em um ambiente normalmente reservado aos pilotos, engenheiros e integrantes das equipes.
Não era apenas uma arquibancada VIP.
Era o coração operacional de uma equipe de Fórmula 1.

DAMON HILL VENCE EM SILVERSTONE

Na pista, o protagonista daquele domingo foi Damon Hill.
O piloto da Williams largou da pole position e venceu o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1994.
Michael Schumacher terminou originalmente em segundo, enquanto Gerhard Berger completou o pódio. A classificação oficial da época registra Hill como vencedor pela Williams-Renault FW16.




Mas a vitória ganhou um elemento adicional que acabaria entrando para a história do circuito.
No pódio estava Diana.

A PRINCESA ENTRE OS CAMPEÕES

Após a corrida, Diana participou da cerimônia oficial e entregou o troféu a Damon Hill.
A imagem reúne três personagens importantes daquele momento da Fórmula 1: Hill, Michael Schumacher e Gerhard Berger, com Diana realizando a entrega dos prêmios.
O próprio Silverstone Circuit registra oficialmente que Diana apresentou o troféu ao vencedor daquele Grande Prêmio.

Foi provavelmente o momento mais emblemático da relação entre Diana e a Fórmula 1.
A princesa não estava simplesmente assistindo à corrida.
Ela fazia parte da cerimônia oficial de encerramento.

MAS A HISTÓRIA COMEÇAVA ANTES DOS CIRCUITOS

A ligação de Diana com automóveis, entretanto, não começou na Fórmula 1.
Muito antes de aparecer nos boxes de Silverstone, ela já era conhecida por dirigir seus próprios carros.
E um deles se tornou uma verdadeira lenda:
Ford Escort RS Turbo.




O Escort utilizado por Diana era especial.
A Ford modificou o veículo para atender às necessidades de segurança relacionadas à princesa, incluindo alterações na configuração dos retrovisores e equipamentos de comunicação.

Mas a característica mais marcante era sua aparência.
Enquanto o Escort RS Turbo Series 1 era normalmente associado ao branco, o carro de Diana recebeu acabamento preto.

O CARRO ESPORTIVO QUE DIANA DIRIGIA PELAS RUAS DE LONDRES

Para alguém integrante da família real britânica, escolher um hatch esportivo relativamente compacto era algo bastante diferente dos tradicionais automóveis oficiais.
Diana gostava de dirigir.
E o Escort permitia justamente isso.




Fotografias da época mostram Diana ao volante e o jovem príncipe William no banco traseiro.
O carro acabou se tornando tão associado à princesa que, décadas depois, seu valor histórico ultrapassaria em muito o de um Escort convencional.
£650 MIL POR UM FORD ESCORT

Em 2022, o Ford Escort RS Turbo associado a Diana foi colocado em leilão pela Silverstone Auctions.
O resultado chamou atenção até mesmo no mercado de carros históricos.
O automóvel foi vendido por aproximadamente £650 mil.
O valor não estava relacionado apenas ao carro.
Era a história.
A documentação.
As características originais.
E, principalmente, a ligação direta com uma das figuras públicas mais conhecidas do século XX.
O Escort havia deixado de ser apenas um esportivo da Ford.
Tornara-se uma peça da história britânica.

UMA PRINCESA NO MUNDO DA VELOCIDADE
Talvez seja justamente essa combinação que torne suas aparições tão interessantes.
Diana não precisava ser piloto para entrar na história da Fórmula 1.
Em Donington, esteve presente em um dos grandes momentos da carreira de Ayrton Senna.
Em Silverstone, entrou nos boxes da Williams.
Depois, subiu ao pódio e entregou o troféu a Damon Hill.




E longe das pistas, continuava dirigindo seus próprios automóveis.
Essa é a parte menos conhecida — e talvez mais interessante — da relação da princesa com o universo automotivo.

O LEGADO

Mais de duas décadas depois de sua morte, as imagens de Diana continuam circulando.
Não apenas aquelas relacionadas à família real, mas também as fotografias feitas dentro de garagens, ao lado de carros de Fórmula 1 e no pódio de Silverstone.
A história é simples, mas poderosa:
uma princesa britânica que gostava de dirigir acabou entrando, ainda que de maneira circunstancial, em algumas das imagens mais marcantes do automobilismo britânico dos anos 1990.
E quando Diana recebeu o troféu de Damon Hill em Silverstone, em 1994, realeza e Fórmula 1 estiveram literalmente no mesmo pódio.
Foi um daqueles momentos que o automobilismo produz poucas vezes.
E que décadas depois continuam sendo lembrados.

